Saiba como o Imposto Seletivo pode afetar custos de frete, energia, frotas e cadeias agroindustriais no Brasil a partir da reforma tributária de 2026.
Embora o Imposto Seletivo não tenha sido desenhado para atingir diretamente o núcleo da produção agropecuária, o agronegócio pode sentir seus efeitos de forma relevante. Isso ocorre porque o tributo alcança bens e atividades associados a danos à saúde ou ao meio ambiente, e parte dessa incidência pode repercutir sobre cadeias essenciais ao campo, especialmente logística, energia, combustíveis e alguns segmentos agroindustriais
“O principal impacto tende a aparecer nos custos indiretos da atividade rural. Se houver elevação da carga sobre bens minerais, combustíveis e outros itens estratégicos, o efeito pode chegar ao produtor por meio do aumento do frete, da armazenagem, da secagem, da irrigação e do processamento.”
Frotas e mobilidade: um ativo estratégico em risco
Outro ponto de atenção está na frota de apoio utilizada no campo e na agroindústria. A regulamentação do Imposto Seletivo inclui determinados veículos entre os itens sujeitos à tributação, o que pode encarecer utilitários e veículos leves usados em fazendas, cooperativas e atividades de suporte operacional. Ainda que caminhões tenham tratamento distinto em parte do desenho legal, a mobilidade interna e regional do agro pode ficar mais cara, afetando investimento e renovação de ativos.
Cadeias agroindustriais: quando o tributo vai além da porteira
O impacto pode ser mais direto nas cadeias ligadas ao tabaco, às bebidas alcoólicas e às bebidas açucaradas, que estão entre os alvos expressos do novo tributo. Nesses casos, o efeito não para na indústria: ele alcança produtores rurais, cooperativas e fornecedores de matéria-prima, com possível reflexo sobre demanda, preços e contratos. Por isso, o agronegócio deve acompanhar a regulamentação do Imposto Seletivo com atenção, porque o risco maior talvez não esteja na lavoura em si, mas no custo crescente de tudo o que gira em torno dela.







